Name Price24H (%)
Bitcoin (BTC)
R$20,291.73
-3.43%
Ethereum (ETH)
R$613.47
-3.86%
Litecoin (LTC)
R$272.86
-1.85%
Binance Coin (BNB)
R$25.88
-0.03%
A valorização da Dogecoin deveria ser algo bom, mas não é....

Altcoins

A valorização da Dogecoin deveria ser algo bom, mas não é.

Em cinco anos de vida, a Dogecoin foi de um meme a uma das 100 principais criptomoedas do mundo, dentre as mais de 2.000 listadas atualmente pelo CoinMarketCap. Em maio de 2017, conquistou o histórico volume de transações diárias para lá dos US$120 milhões e, no primeiro mês de 2018, sua capitalização de mercado chegou a US$1 bilhão. São mais de 115.000.000.000 DOGE circulando pelo mundo que começaram agosto de 2018 sob o valor de US$$0,002869. O que todos esses números significam quando se trata de um projeto que surgiu como uma brincadeira? A comunidade se anima com a valorização; os criadores da criptomoeda não. Entenda porque a Dogecoin se tornou um assunto sério.

O QUE É DOGECOIN?

A Dogecoin (DOGE) é uma criptomoeda criada em 2013 com base no código fonte do Bitcoin, a fim de ser uma paródia deste. Seu nome e símbolo fazem referência ao meme do Doge, que consiste em fotos de um cachorro da raça Shiba Inu sobre as quais são escritas palavras com erros ortográficos em Comic Sans, simulando sua fala.

O fornecimento das criptomoedas é ilimitado e a mineração obedeceu, até as 600.000 DOGE, uma agenda regressiva de recompensa, iniciando em 1.000.000 unidades e estabilizando nas 10.000. A Dogechain emprega o método de prova de trabalho para validar as transações, mas, diferente do Bitcoin, seu algoritmo é o Scrypt, com o objetivo de tornar a mineração acessível tanto para GPUs, quanto para CPUs.

Inicialmente era possível obter DOGE por meio da mineração, das transações diretas em sua blockchain e do tipping, que consiste em uma gorjeta virtual. Hoje, no entanto, a criptomoeda já está disponíveis em grandes corretoras, como a Poloniex e a Bittrex. Além disso, em razão de sua popularização, a Dogecoin ganhou um ecossistema de ferramentas completo para suportá-la: oferece uma carteira exclusiva da DOGE para Windows, OS, Linux e Android, algumas carteiras de papel (aqui e aqui), é compatível com carteiras multi-currency, como Jaxx, Exodus e Coinomi, bem como com carteiras de hardware renomadas, a exemplo da Ledger, Trezor e KeepKey,  possui um Explorer para sua blockchain e tem até mesmo faucets (opção 1, opção 2, opção 3, opção 4).

COMO A DOGECOIN FOI CRIADA:

Em um momento em que as criptomoedas passaram a ser uma pauta frequente e, paralelamente, o meme Doge se espalhava por fóruns e redes sociais, o australiano Jackson Palmer fez uma piada em sua conta do Twitter: “Investindo em Dogecoin. Tenho certeza de que será a próxima sensação”. O tweet viralizou e, empolgado com a brincadeira, Palmer comprou o domínio dogecoin.com, criou uma logomarca para sua moeda fictícia – estampando, é claro, um Shiba Inu – e escreveu uma nota chamando aqueles interessados em concretizar a ideia para entrar em contato. A nota foi encontrada pela pessoa certa: o programador americano Billy Malkus, que há pouco tempo havia criado a Bells, uma criptomoeda baseada em um jogo tão pouco séria quanto a Dogecoin. Ninguém entendeu a brincadeira e ela logo morreu, desanimando seu criador, mas a Dogecoin reacendeu seu interesse pelas criptomoedas – a empolgação foi tanta que a programação para a ideia de Palmer levou cerca de três horas para ficar pronta e ir ao ar, sem que nem mesmo Billy tivesse recebido uma resposta do outro. Basicamente, o trabalho consistiu em copiar o código do Bitcoin, mudar o nome para Dogecoin e fazer algumas adaptações, como a substituição do algoritmo de mineração do Bitcoin para outro que tornasse o processo mais fácil. O projeto, diferente da maioria das criptomoedas, dispensou a etapa de premining, na qual os criadores de um projeto mineram moedas antes de lançá-las a fim de criar ativos suficientes para serem vendidos em ICOs e distribuídos entre a equipe. Ao invés disso, Malkus inaugurou a blockchain minerando as primeiras DOGE do mundo já em modo público.

POPULARIZAÇÃO: WHO LET THE DOGE OUT?

Ao contrário do que Palmer e Malkus esperavam, a Dogecoin fez sucesso. Sua popularidade inicial veio de fóruns de discussão, como o Reddit, onde os usuários passaram a praticar o tipping virtual com DOGE. Em razão do rápido crescimento da comunidade e capitalização de mercado da DOGE, menos de um ano depois de seu nascimento a logomarca da criptomoeda estampou a escuderia de um carro na competição de NASCAR, em patrocínio ao piloto Josh Wise, rendendo ainda mais visibilidade para o projeto. Além disso, um importante fator para a crescente adoção da Dogecoin foi a rápida velocidade de confirmação e baixa taxa das transações, em razão não só da cotação da moeda, mas também de sua facilidade de mineração obtida pela substituição do algoritmo SHA546 pelo Scrypt.

A BRINCADEIRA PERDEU A GRAÇA.

Ao passo em que a comunidade cresceu, o projeto começou a chamar a atenção de pessoas que não o viam como uma simples brincadeira. Juntaram-se àqueles que se divertiam com a ideia aqueles que queriam lucrar com ela, de modo que investimentos sérios começaram a ser feitos. O Dogecoin passou a ser negociado em corretoras em troca de dólares, ganhando um valor no mundo real. Billy Markus, que tinha a intenção de que tudo permanecesse uma piada, se afastou do projeto.

Neste cenário surgiu a Moolah, uma corretora voltada especificamente para a Dogecoin. Criado pelo inglês Alex Green, o projeto rapidamente ganhou o apoio da comunidade, mais uma vez graças ao Reddit. Para reforçar sua relevância dentre os usuários da DOGE, a corretora fez generosas doações para instituições de caridade e até mesmo contratou membros das comunidades da criptomoeda. Jackson Palmer também não gostava da ideia, mas os fãs da Dogecoin apoiavam por a viam como uma oportunidade de levar a moeda ao verdadeiro sucesso. Justamente com isso em mente, não houve desconfiança quando a Moolah passou a solicitar à comunidade doações em dólar, que foram atendidas ao ponto de acumular mais de US$300.000.

Poucos meses depois, em outubro de 2014, a empresa faliu e levou com ela tudo que os apoiadores haviam investido. Foi revelado, ainda, que Alex Green chamava-se Ryan Kennedy e estava sob acusação de diversos crimes parecidos, além de outros ainda mais graves. Esse foi o estopim que levou Palmer a seguir o caminho de Malkus e se afastar do projeto. A partir daí, a moeda pareceu entrar em um hiato que durou até 2017, deixando até mesmo de receber atualizações.

O RETORNO:

O preço inicial da DOGE era de US$0,000559. Após o episódio da Moolah, caiu até chegar a US$0,000087. No entanto, possivelmente por conta da popularização das criptomoedas como um todo, a Dogecoin ressuscitou em 2017 e em janeiro de 2018 alcançou sua máxima histórica: US$0,01758. Ainda que nos meses seguintes a coração da Dogecoin e sua capitalização de mercado tenham oscilado, ela parece ter entrado no portfólio de muitos investidores que vêem a chance de uma futura lucratividade com a criptomoeda. Por conta disso, a equipe de desenvolvedores voltou a trabalhar em atualizações para tornar a blockchain mais segura e aprimorar sua usabilidade.

BOAS INTENÇÕES:

Quando os criadores da Dogecoin se deram conta de que a coisa estava ficando séria, eles decidiram aproveitar os recursos do projeto para fazer algo verdadeiramente útil. Isso se traduziu em ações como o patrocínio da equipe de bobsled da Jamaica, que se classificou para as Olimpíadas de Inverno mas não tinha fundos para participar do evento. Palmer e Malkus organizaram uma campanha de arrecadação e obtiveram o equivalente a US$25.000 na época.

Contagiados por esse espírito, outros membros da comunidade criaram uma organização sem fins lucrativos, chamada Dogecoin Foundation, por meio da qual pretendiam promover a bondade usando as DOGE doadas pelos usuários. E assim surgiram projetos como o Doge4Water, dedicado à construção de canais de água no Quênia – o qual arrecadou o equivalente a US$30.000 na época, graças a cerca de 4.000 apoiadores.

Mais um exemplo de bom uso da Dogecoin é a “dogethereum bridge”, um experimento sendo realizado por programadores para ajudar a resolver o problema de escalabilidade da blockchain da Ehtereum.

PORQUE A VALORIZAÇÃO DA DOGECOIN PODE NÃO SER UMA BOA IDEIA?

Naturalmente, a equipe da Dogecoin ficou orgulhosa de como é possível fazer algo grande com uma ideia tão simples e poucos recursos. No entanto, o fato de a DOGE estar atraindo milhares de pessoas por conta de seu potencial de investimento é motivo de preocupação para Palmer e Markus, que sempre rejeitaram a ideia de investir na brincadeira. Para eles, o crescimento da Dogecoin poderia ser uma força do bem, a exemplo das ações de caridade viabilizadas por sua comunidade, e seu ecossistema poderia ser usado com fins educacionais. A fraude da Moolah foi possível justamente por conta daqueles que esqueceram desses propósitos – e se a DOGE continuar crescendo para ser levada a sério, nada impede que casos similares aconteçam novamente.

Além disso, a Dogecoin conta apenas com desenvolvedores voluntários. Ainda que Palmer reconheça que todos eles têm a capacidade de manter o ecossistema atualizado e seguro, um crescimento acima do esperado abre brechas para falhas e exige uma atenção dedicada que, pelo menos por enquanto, não pode ser dispensada pelos voluntários.

O problema mais grave, no entanto, é o sintoma que a Dogecoin representa na comunidade de criptomoedas: enquanto o Bitcoin e as altcoins mais prósperas surgiram com o propósito de resolver algum problema, a DOGE não tem fundamento algum, é um movimento sem base. Para o CEO da Eidoo, Thomas Bertani, isso mostra que os novos investidores não estão pesquisando antes de decidir onde dedicar tempo e dinheiro – ao invés disso, eles são orientados pela especulação, apenas em busca da nova bolha.

A Dogecoin não é mais uma brincadeira. A dedicação às boas causas e a Dogecoin Foundation já não existem mais. Seus criadores se retiraram do projeto. O espírito e propósito inicial se perderam. Resta esperar para ver o rumo que o projeto vai tomar.

Comentários

Bitnami