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Bitcoin

A máquina da confiança: A tecnologia por trás do bitcoin pode transformar a forma como a economia funciona

TRADUÇÃO – MATÉRIA ORIGINAL THE ECONOMIST (29/10/15)

O BITCOIN tem uma fama ruim. A criptomoeda digital descentralizada, alimentada por uma vasta rede de computadores, é notória pelas flutuações violentas de seu valor, o zelo de seus apoiadores e seus usos corrompidos, tais como extorsão, compra de drogas e contratação de assassinos em mercados on-line da “dark web”.

Isso é injusto. O valor do bitcoin tem andado bastante estável, por volta de US$ 250 na maior parte do ano. Em meio a regulamentadores e instituições financeiras, o ceticismo deu lugar ao entusiasmo (a União Europeia reconheceu o bitcoin como moeda recentemente). Mas o mais injusto de tudo é que a imagem duvidosa do bitcoin faz com que as pessoas deixem de ver o potencial extraordinário do “blockchain”, a tecnologia que o suporta. Esta inovação traz uma significância que se expande para além da criptomoeda. O blockchain permite que pessoas sem alguma confiança em especial uma na outra colaborem sem ter que passar por uma autoridade central neutra. Colocando de maneira simples, é uma máquina de criar confiança.

A cadeia alimentar do blockchain

Para entender o poder dos sistemas do blockchain, e as coisas que podem fazer, é importante fazer a distinção entre três coisas que são normalmente confundidas, que são a moeda bitcoin, o blockchain específico que o suporta e a idéia de blockchains em geral. Uma analogia útil é a do Napster, o serviço de compartilhamento de arquivos “ponto-a-ponto” pioneiro, porém ilegal, que entrou na internet em 1999, oferecendo acesso gratuito a milhões de músicas. O Napster foi fechado rapidamente, mas inspirou uma série de outros serviços ponto-a-ponto. Muitos deles também foram usados para a pirataria de músicas e filmes. Mesmo com suas origens duvidosas, a tecnologia ponto-a-ponto encontrou utilizações legítimas, dando suporte a startups da Internet como o Skype (para a telefonia) e o Spotify (para o streaming de músicas) e também, como já sabemos, o bitcoin.

O blockchain é uma tecnologia ainda mais poderosa. É essencialmente um livro contábil compartilhado, confiável e público que qualquer um pode inspecionar, mas que nenhum usuário individual controla. Os participantes em um sistema do blockchain mantêm o livro contábil atualizado coletivamente: só pode ser alterado de acordo com regras rigorosas e por acordo geral. O livro contábil blockchain do bitcoin evita gastos em duplicidade e mantém registros de transações continuamente. É o que torna possível uma moeda sem um banco central.

Os blockchains também são o mais recente exemplo dos frutos inesperados da criptografia. A codificação matemática é usada para resumir uma parte da informação original em um código, conhecido como hash. Qualquer tentativa de violação de qualquer parte do blockchain é evidenciada imediatamente, porque o novo hash não confere com os antigos. Desta forma, uma ciência que mantém o sigilo de informações (essencial para encriptar mensagens, compras e transações bancárias on-line) é também, paradoxalmente, uma ferramenta para negociações abertas.

O próprio bitcoin pode nunca ser mais do que uma curiosidade. No entanto, os blockchains possuem uma grande quantidade de utilidades porque atendem a necessidade de um registro confiável, algo essencial a qualquer tipo de transação. Várias startups esperam agora capitalizar em cima da tecnologia blockchain, seja fazendo coisas engenhosas com o blockchain do bitcoin ou criando seus próprios blockchains novos (leia o artigo).

Uma ideia, por exemplo, é baratear bases de dados públicas a prova de violação – registros de terras, digamos, (Honduras e Grécia estão interessados); ou registros de propriedade de bens de luxo ou obras de arte. Documentos podem ser autenticados através da incorporação de informações sobre eles em um blockchain público – e você não precisará mais de um cartório para reconhecê-los. Firmas de serviços financeiros estão considerando usar o blockchain como um registro de quem é dono do que ao invés de terem uma série de livros contábeis internos. Um livro contábil confiável e privado tira a necessidade de reconciliação de cada transação com uma contraparte, é rápido e minimiza erros. O Santander calcula que isso poderia economizar aos bancos até US$ 20 bilhões por ano em 2022. Vinte e cinco bancos acabaram de unir-se a uma startup blockchain, chamada de R3 CEV, para desenvolver padrões em comum, e a NASDAQ está prestes a começar a usar a tecnologia para registrar negociações de títulos de empresas privadas.

Estes novos blockchains não precisam funcionar exatamente como o bitcoin. Muitos deles poderiam otimizar seu modelo, por exemplo, através do descobrimento de alternativas para seu processo de “mineração” intenso, que paga aos participantes bitcoins recém-produzidos em troca do fornecimento da potência computacional necessária para manter o livro contábil. Um grupo de participantes investigados dentro do ramo poderia, ao invés disso, concordar em fazer parte de um blockchain privado, digamos, que precise de menos segurança. Blockchains também podem implementar regras de negócios, tais como transações que ocorram somente se duas ou mais partes as aprovem, ou se outra transação tenha sido concluída primeiro. Assim como o Napster e a tecnologia ponto-a-ponto, uma idéia inteligente está sendo alterada e aperfeiçoada. No processo, será rápido se livrar de sua fama duvidosa.

Novas cadeias no bloco

A propagação dos blockchains é ruim para qualquer um no “ramo de confiança ” – as instituições e burocracias centralizadas, tais como bancos, câmaras de compensação e autoridades governamentais que são consideradas confiáveis o bastante para processar transações. Mesmo a medida em que alguns bancos e governos exploram o uso desta nova tecnologia, outros certamente resistirão a ela. Mas dada a redução de confiança em governos e bancos nos anos recentes, uma forma de criar mais escrutínio e transparência não seria nada mal.

A elaboração de regulamentações para os blockchains neste estágio inicial seria um erro: a história da tecnologia ponto-a-ponto sugere que é provável serem necessários vários anos antes que todo o potencial da tecnologia torne-se claro. Enquanto isso, regulamentadores devem parar, ou encontrar meios de receber novas abordagens dentro de parâmetros existentes, ao invés de arriscarem matar por asfixia uma ideia de rápida evolução com regras excessivamente normativas.

A noção de livros contábeis públicos compartilhados pode não soar muito revolucionária ou atraente. Também era assim com empresas de dupla entrada, escrituração ou capital aberto. Ainda assim, e como elas, o blockchain é um processo aparentemente mundano que tem o potencial de transformar a forma como pessoas e empresas cooperam. Os fanáticos do bitcoin são fascinados pelo ideal libertário da moeda digital pura além do alcance de qualquer banco central. A verdadeira inovação não está nas moedas digitais em si, mas na máquina de confiança que as produz – e que promete muito mais.

Fonte: The Economist

Redação

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