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Como o bitcoin pode ser usado para remessas internacionais

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Como o bitcoin pode ser usado para remessas internacionais

Chamamos de “remessas internacionais” os fundos enviados por trabalhadores de uma determinada nação para seus familiares em outro país. Trata-se de um atributo essencial nas economias avançadas, uma vez que quanto mais eficientes forem essas remessas, melhor será o posicionamento de um determinado país na competição para atrair mão-de-obra.

O Banco Mundial estimou que em 2014 foram remetidos 435 bilhões de dólares para países em desenvolvimento, a um custo médio de 7,9% (34 bilhões de dólares). Estas tarifas foram cobradas por tradicionais empresas de transmissão de dinheiro, responsáveis por mover os fundos de uma jurisdição para outra e realizar a conversão monetária. Existe, entretanto, uma grande variação das taxas cobradas entre diferentes países, podendo oscilar de menos de 1% (entre Singapura e Malásia) até mais de 20% (entre certas nações africanas).

O mercado de remessas apresenta uma grande barreira de entrada: é necessária uma ampla rede de relacionamentos bancários em múltiplas jurisdições, além de presença física em muitos pontos. O resultado final é um mercado estável (Western Union segue ativa desde 1850), com elevadas tarifas e pouca inovação.

APARECE O BITCOIN

Este cenário se modifica com o aparecimento do bitcoin. Desde que se tenha acesso à internet (cenário cada vez mais real num mundo onde se vendem smartphones por 35 dólares), a rede permite que sejam enviados bitcoins (BTC) com a mesma facilidade de se enviar um e-mail, a custo zero ou quase zero (no máximo 3 centavos de dólar).

Embora os BTC possam ser enviados diretamente de pessoa para pessoa, são poucos os locais que os aceitam diretamente como pagamentos de bens ou serviços. Desta maneira seria necessário comprar BTC com a moeda do país do trabalhador e, após o seu envio, o familiar precisaria convertê-lo em moeda local.

Cada um desses passos tem seus custos, mas que em alguns contextos são inferiores àqueles cobrados por empresas tradicionais. É seguro prever, ainda, que tais custos devem cair com o passar do tempo, à medida que mais indivíduos e empresas venham a conhecer o bitcoin, aumentando sua liquidez e reduzindo os spreads.

OS BENEFÍCIOS DE REDES ABERTAS E DA COMPETIÇÃO

O bitcoin representa um verdadeiro divisor de águas em relação aos demais protocolos financeiros que o precedem por se tratar de uma rede aberta. Embora seja dificílimo abrir um banco, qualquer um que faça o download de uma carteira de bitcoin pode participar de seus mercados.  A consequência é um ecossistema altamente competitivo, capaz de trazer enormes benefícios aos consumidores.

A “mágica” produzida pela competição faz com que o número crescente de concorrentes proporcione tarifas cada vez mais baixas para converter BTC em moeda local. Em mercados amadurecidos, este custo já está abaixo de 1%. Esta redução significa bilhões de dólares a mais nos bolsos de trabalhadores de baixa renda, sendo capaz de gerar imenso benefício econômico e humanitário.

O PREÇO DO BITCOIN VAI PARA A LUA POR CONTA DISSO?

Provavelmente não no curto prazo. Mesmo sendo uma tecnologia mais eficiente, leva tempo tomar clientes antigos de operadores tradicionais do mercado de remessas. Além disso, a agilidade e rapidez da rede bitcoin faz com que sejam necessários enormes volumes de transação para haver um grande impacto sobre o preço.

Nunca é demais lembrar que o uso do BTC para remessas funciona quer ele valha 50 ou 5.000 dólares por unidade. No longo prazo, entretanto, pode-se esperar que sua utilização com esta finalidade traga maior demanda, divulgação e legitimidade, com impacto positivo para a cotação.

Filipinas

Estima-se que mais de 11 milhões de filipinos trabalhem no exterior. Suas remessas para o país asiático ultrapassaram 20 bilhões de dólares em 2014, crescendo a uma taxa de cerca de 6% ao ano e responsáveis por quase 10% do PIB nacional.

Duas startups (Rebit.ph e Coins.ph) já colocam seus pés no mercado de remessas, oferecendo custos mais baixos (veja a tabela abaixo e leia o relato de um usuário) e entrega mais rápida. Detalhe: o destinatário (frequentemente um familiar idoso) sequer fica sabendo o que é bitcoin. Seus fundos, em pesos filipinos, vão direto para a conta do banco ou são entregues pessoalmente.

Comparação de custos entre Rebit.ph e operadores tradicionais de remessas

Comparação de custos entre Rebit.ph e operadores tradicionais de remessas

Embora os volumes não tenham sido especificados para o público, sabe-se que o movimento é crescente.

MÉXICO

A história se repete no México, país que recebe mais de 20 bilhões de dólares em remessas por ano. Através da startup Sendbitcoin.mx, é possível enviar fundos via BTC para que um parente retire em pesos a partir de qualquer caixa eletrônico BBVA, com custos mais baixos do que empresas tradicionais (veja tabela abaixo e relato aqui). Para quem recebe os recursos não é preciso saber sequer como se escreve bitcoin.

Sendbitcoin.mx é muito mais barato para enviar dinheiro dos EUA para o México

Sendbitcoin.mx é muito mais barato para enviar dinheiro dos EUA para o México

Minha suspeita, entretanto, é que inevitavelmente eles (e muitos outros) vão ouvir falar dessa moedinha da internet.

[Baseado no texto publicado em 02/12/14 por Brock Cusick – https://coincenter.org/2014/12/remittances/]

AVISO: Este texto não constitui orientação de investimento e tem caráter puramente informativo. Antes de investir, consulte profissional capacitado e certificado para atender ao seu perfil.

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