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As eleições na Grécia e o Bitcoin

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As eleições na Grécia e o Bitcoin

Eleições presidências na Grécia não são o tipo de assunto que se ouve em rodas de chope. Impossível pensar em algo mais desconectado do dia-a-dia e das preocupações do brasileiro, alguns poderiam apressadamente imaginar. Minha missão neste texto é mostrar como o voto grego pode ser relevante para o mundo de modo geral e para o Bitcoin em particular.

A história está recheada de eventos menores servindo como estopim para desfechos de proporções imensas. O assassinato de Franz Ferdinand culminando na Primeira (e, em consequência desta, a Segunda) Guerra Mundial é um exemplo clássico. Poderia a mudança política na Grécia desencadear repercussões financeiras globais?

Estamos falando de um país pequeno, com 11 milhões de habitantes, membro da zona do euro. Sua dívida? A bagatela de 317 bilhões de euros (30 mil euros por homem, mulher, idoso e bebê).

A crise da dívida soberana grega se arrasta há cerca de cinco anos, pontuada por algumas ameaças de calote seguidas de empréstimos na última hora. A Troika (apelido dado ao triunvirato FMI-União Europeia-Banco Central Europeu) exigiu cortes de gastos e aumentos de impostos, catapultando a taxa de desemprego para 25% (50% entre os jovens). A economia encolheu 25% e a dívida permanece acima de 175% do PIB.

DEMOCRACIA GREGA

Eis que os gregos foram às urnas neste domingo último. Consagraram com uma vitória acachapante o Syriza, partido de extrema esquerda.

Vamos citar algumas das propostas apresentadas em campanha:

  • Mais gastos com saúde, educação e pensões
  • Controles de preços (argentinovenezuelização versão europeia)
  • Moratória no pagamento dos juros da dívida do país
  • Cancelamento de ao menos parte da dívida soberana
  • Proibição de produtos especulativos bancários
  • Taxa pan-europeia sobre o capital, lucros e transações financeiras
  • Taxação de “grandes fortunas” (qualquer um que tenha um milhão de euros)
  • Término da confidencialidade de transações bancárias ou comerciais, para aumentar a coleta de impostos
  • Banimento de transações envolvendo empresas offshore
  • Nacionalização/socialização dos bancos

O curioso é que objetivam tudo isso sem sair da União Europeia nem abandonar o euro. Se internamente eles terão bastante poder (elegeram 149 das 300 cadeiras do parlamento e já fizeram aliança com um partido anti-Troika), na mesa de negociações com a Europa veremos uma guerra que testará quem blefa melhor.

O Syriza, no fundo, morre de medo de ter que deixar o euro e enfrentar uma hiperinflação com moeda própria. Por outro lado, sabe que o discurso alemão de “se a Grécia sair, tudo bem” é da boca para fora.

O calote grego desordenado traria consequências potencialmente catastróficas para o sistema bancário europeu. Imediatamente, aqueles bancos detentores de títulos gregos sofreriam prejuízos vultosos; falências não estariam descartadas. O maior risco, todavia, seria o impacto sobre a percepção de risco de outros países europeus.

Em níveis historicamente baixos de taxas de juros graças à atuação do BCE, países com Itália, Espanha e França têm conseguido “empurrar com a barriga” déficits e dívidas enormes pagando juros relativamente baixos (os menores desde que se tem registro: ver imagem abaixo). O medo de calote por parte de outras nações seria capaz de gerar pânico nos investidores, derrubando o valor de face dos títulos soberanos e aumentando os juros que cada país desembolsa todo ano.  Sem contar, naturalmente, o drama nos balanços bancários, entupidos de títulos governamentais.

Juros soberanos baixos demais? This time is different, of course

Juros soberanos baixos demais? This time is different, of course

O QUE MATEMATICAMENTE NÃO PODE CONTINUAR, NÃO VAI CONTINUAR

A história do Chipre não faz tanto tempo. Há menos de dois anos, os cipriotas foram avisados no fim-de-semana de que suas contas estariam quase 10% mais pobres na semana seguinte. Feriado bancário.

Não adianta bancar o valentão com esse trator. Seu saldo bancário foi reduzido em 8% ontem para o seu bem e felicidade de todo o país #cyprusfeelings

Não adianta bancar o valentão com esse trator. Seu saldo bancário foi reduzido em 8% ontem para o seu bem e felicidade de todo o país #cyprusfeelings

Não é preciso ser gênio para imaginar que tal cenário pode acontecer na Grécia. Na realidade, muitos gregos já se tocaram: o volume de saques tem sido enorme, a ponto de alguns bancos solicitarem fundos de emergência ao BCE.

Caso este comportamento se alastre pela Europa, existe a possibilidade de colapso do sistema financeiro. Com os bancos ainda alavancados a 20/1 (apenas 5% dos depósitos estão disponíveis em um dado momento; todo o resto é emprestado/investido), não é preciso que muita gente tenha a mesma ideia.

A maior parte dos correntistas, diante desta preocupação, vai optar por cédulas de dólar ou euro. Uma minoria vai comprar certificados de ouro ou então ouro físico. Ainda assim um punhado de curiosos, com mente um pouco mais aberta, encontrará uma matéria, ou um comentário, ou um amigo que o apresentará a um tal de bitcoin. Talvez mais do que uma meia dúzia invistam no BTC ao saber que a vida média de uma moeda sem lastro não passa de 27 anos.

Para uma rede onde não existem sequer 700 mil endereços com 0,1 BTC, qualquer aporte súbito de usuários pode ter um impacto imenso no preço. A lei de Metcalfe determina que o valor de uma rede de comunicação (neste caso, financeira) é proporcional ao quadrado de seus usuários. Dez mil europeus subindo no trem do bitcoin podem mudar muita coisa. Vem ni mim, Grécia…vem ni mim, crise!

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