Name Price24H (%)
Bitcoin (BTC)
$6,362.85
-0.13%
Ethereum (ETH)
$206.52
-1.14%
Bitcoin Gold (BTG)
$28.74
0.64%
XRP (XRP)
$0.51
-1.54%
EOS (EOS)
$5.23
-2.4%
O uso do blockchain para combater o crime e salvar vidas

Bitcoin

O uso do blockchain para combater o crime e salvar vidas

Segundo Blythe Masters, a blockchain representa um momento divisor de águas na história tecnológica. “Você deve levar essa tecnologia tão a sério quanto deveria ter feito com a internet no início dos anos 90,” disse em uma entrevista à Bloomberg.

A tecnologia blockchain é um registro hiper seguro de eventos digitais que é distribuído entre muitos computadores diferentes. O blockchain só pode ser atualizado pelo consenso da maioria dos participantes no sistema, e uma vez que a informação tenha sido registrada, jamais pode ser apagada. A tecnologia blockchain é mais conhecida por sua ligação com a criptomoeda Bitcoin. É ela que permite a ocorrência de transações sem um intermediário ou órgão central, enquanto protege contra duplicações e fraude.

Até o momento, o foco foram os aplicativos blockchain para o mundo financeiro. No entanto, isso é apenas a ponta do iceberg. Existem vários outros setores que estão se beneficiando com a tecnologia blockchain. Neste artigo, iremos examinar as formas como as startups estão usando o blockchain para reduzir o crime e a falsificação, e potencialmente salvar vidas.

AUTENTICAÇÃO DE OBRAS DE ARTE

Um laboratório suíço de pesquisa de arte causou polêmica ao afirmar que mais de 70% das obras analisadas são falsas, réplicas ou atribuições incorretas. Embora os valores exatos movimentados pelo comércio de réplicas de arte sejam desconhecidos, casos de ampla repercussão na última década revelaram que falsificadores podem ganhar milhões. Algumas falsificações são tão convincentes que foram exibidas na maioria das galerias de arte do mundo.

O surgimento de novas plataformas de venda de arte online, como Artspace, Paddle8 e Amazon Art, está dificultando cada vez mais o acompanhamento de obras de arte autênticas. Isso facilita a propagação de obras de arte falsificadas. As compras online são comuns principalmente entre a nova geração, com quase 25% dos entrevistados com idade entre 20 e 30 anos afirmando que compraram arte online pela primeira vez sem terem visto a obra física. O The Hiscox Online Art Trade Report 2014, relatório de comércio de arte online, estimou que o valor movimentado pelo mercado de arte online subirá para US$ 3.76 bilhões em 2018.

A única maneira de provar que uma obra era realmente original era através de um certificado de autenticidade — que também poderia ser falsificado.

Quando compradas online, as obras não seguem os canais de costume e tendem a passar por intermediários, como casas de leilão ou galerias, que assumem o papel de garantir a autenticidade e registram a propriedade e localização de obras raras. No passado, a autenticação de uma obra de arte envolvia uma série de etapas importantes, desde a definição da origem da obra, se foi exibida no passado e avaliada anteriormente e, finalmente, ser autenticada profissionalmente por um especialista. Devido ao nível de habilidade dos falsificadores profissionais, a única maneira de provar que a obra era realmente original era através de um certificado de autenticidade — que também poderia ser falsificado.

A startup Verisart, situada em Los Angeles, acredita que criou a resposta ao utilizar o blockchain para “tornar” o sistema infalível. Com o uso da tecnologia blockchain, a empresa criou um banco de dados de arte não centralizado que verifica cada obra através da atribuição de códigos de autenticidade exclusivos. Da mesma forma, proprietários e compradores podem usar códigos individuais do blockchain para validar a autenticidade das obras e monitorar sua movimentação por todo o mundo.

“O mundo da arte não está acabado. Ele depende demais de intermediários para garantir a confiança e a liquidez… a medida em que as vendas de arte estão sendo feitas pela internet, haverá uma procura crescente por certificados de autenticidade, assim como a necessidade de realização de verificações de procedência em tempo real,” disse Robert Norton, fundador da Verisart, em uma entrevista para o TechCrunch. “O blockchain permite que compradores potenciais verifiquem a cadeia de propriedade de uma obra sem depender de qualquer verificação.”

A startup trouxe o bitcoiner Peter Todd para ser consultor do conselho e espera oferecer uma rede de segurança protegida para artistas, revendedores e colecionadores, assim como um sistema digitalizado que poderia verificar obras em tempo real. O novo sistema não garantiria somente a autenticidade, mas também um nível de anonimato para o comprador e o vendedor, o que é um fator importante no mundo da arte, onde a presença de compradores anônimos não é incomum.

BENS DE ALTO VALOR

Segundo a Agência de Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, milhões de carregamentos de bens de alto valor falsificados, como itens eletrônicos e roupas e acessórios de grife falsos, entram no país todos os anos.  São apreendidos em bens o equivalente a mais de US$ 1.2 bilhões por ano, mas as autoridades reconhecem que esse valor é apenas uma parcela do total de bens que entra no país. O mercado de falsificação foi chamado de “o crime do século.” Em 2015, a Câmara de Comércio Internacional (ICC) prevê que o valor de bens falsificados ultrapasse US$ 1.7 trilhões em todo o mundo, o que corresponde a mais de 2% de todo o valor econômico mundial.

Em resposta, a startup Blockverify, situada em Londres, tem por objetivo o uso do blockchain para autenticar uma grande variedade de bens de alto valor (que vão desde celulares a diamantes) para simplificar o acompanhamento de vendas e a verificação de produtos.

Ao usar a tecnologia blockchain, o sistema Blockverify é capaz de autenticar produtos falsificados que já estejam em posse de uma empresa, acompanhar bens para observar se foram desviados de seu destino original, e rastrear e localizar bens roubados e transações fraudulentas. Todo produto recebe um identificador. Dessa forma, quando clientes compram o produto, podem verificar que ele é autêntico e ativá-lo. As empresas podem criar um registro de seus produtos, e então monitoram as cadeias de suprimentos pela plataforma da Blockverify com facilidade. Os produtos podem até mesmo ser verificados com o uso de dispositivos móveis, o que torna viável a verificação de produtos em larga escala e no local de entrega.

MEDICAMENTOS FALSIFICADOS

O Blockverify também usa seu sistema para combater o comércio internacional de medicamentos falsificados. De acordo com o HavocScape, medicamentos são o produto falsificado mais comum, sendo responsável por prejuízos de mais de US$ 200 bilhões todos os anos.

A Interpol estima que mais de 1 milhão de pessoas morrem todos os anos devido ao consumo de medicamentos falsificados, e afirma que a fabricação e a venda desses produtos está se tornando um dos negócios mais lucrativos do mundo para grupos do crime organizado. Os medicamentos falsificados mais comuns são antibióticos, remédios para o HIV/AIDS e o câncer, antidepressivos, pílulas para disfunção erétil, suplementos emagrecedores e remédios contra a malária, segundo o Caracol. A Interpol informou que mais de 200.000 pessoas morrem em todo o mundo somente pelo uso de medicamentos antialérgicos falsificados.

Mais de 200.000 pessoas morrem em todo o mundo somente pelo uso de medicamentos antialérgicos falsificados. — Interpol

Como também pôde ser visto no mundo da arte, o crescimento das vendas online de medicamentos está dificultando o acompanhamento do fluxo dos produtos originais e falsificados por parte das autoridades. Uma série de grandes sites como Snapdeal Medidart, Buydrug and Meramedicare implantaram medidas de segurança, exigindo o upload de receitas de medicamentos prescritos no momento da compra e inspeções adicionais junto a fornecedores. No entanto, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 50% dos medicamentos comprados de vendedores online em que o nome do médico é ocultado são falsificados.

O Blockverify afirma que possui a tecnologia para acabar com essa circulação de produtos falsificados mortais através do uso do blockchain para acompanhar medicações por toda a cadeia de suprimentos e garantir que o consumidor receba produtos originais.

MUITAS MUDANÇAS A CAMINHO PARA VÁRIOS SETORES

Oliver Bussmann, diretor executivo de informação da UBS,  disse recentemente: “Conheço mais de 100 empresas que estão tentando tornar o blockchain mais escalonável e seguro para criar a versão que todos irão usar. Tem uma corrida acontecendo lá fora.”

Embora a tecnologia ainda esteja em estágios iniciais, e levará anos para ser integrada de maneira universal, as oportunidades para se oferecer transações rápidas e seguras, verificar bens e acompanhar produtos por toda a sua cadeia de suprimentos têm o potencial de economizar trilhões de dólares, e quem sabe, reduzir a circulação de produtos falsificados perigosos em todo o mundo.

Fonte: TechCrunch

Redação

Comentários