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Você tem bitcoin? Não entre em pânico!

Bitcoin

Você tem bitcoin? Não entre em pânico!

Participar do mundo do Bitcoin (BTC) é como se envolver com um viciado em drogas que tem transtorno bipolar. Há breves intervalos de exuberância irracional espantosa seguidos de longos períodos de pavor profundo motivados por essencialmente…nada.

O mundo do Bitcoin é neurótico no sentido de que é dominado pelo medo. Se não há aceitação suficiente por comerciantes, teme-se a poupança exagerada e uma crise de liquidez. Se há muitos lojistas aceitando, o receio é de que as transações exerçam pressão vendedora. Se a adoção do BTC é muito rápida, existe o medo da volatilidade e de bolhas. Se for muito lenta, reclama-se que ninguém dá a mínima para o bitcoin. Se o sistema financeiro o ignora, é porque não estão interessados, mas se manifestam interesse, surge a preocupação com a regulamentação.

É impressionante como a comunidade do bitcoin reinterpreta qualquer notícia boa como um problema. O mercado negro é enxergado como ruim para a imagem do BTC, como se este tivesse que se preocupar com “imagem.” A sua volatilidade – reflexo de um crescimento extraordinariamente rápido – é vista como algo capaz de tirar a respeitabilidade do bitcoin. Teme-se qualquer tipo de mídia negativa, quando na realidade só o fato de mencionar o BTC já é (quase sempre) positivo.

A cada 30 ou 60 dias surge uma nova crise. Mtgox acaba e o bitcoin será destruído. China baniu o BTC? É o seu fim. Um pool minerador assume muito poder computacional e o destino do bitcoin está selado. Vira e mexe surge um supervilão de trás de uma pedra.

Não faz muito tempo que Mike Hearn queria acabar com o BTC, com suas listas negras, seguido pela legião do mal do Coinvalidation, que iria rastrear todos os usuários de bitcoin. Recentemente Ben Lawsky surgiu como o último Mumm-Ha, capaz de destruir o Bitcoin com o seu superpoder da Bitlicense.

A ideia de que qualquer um seria capaz de “banir” o bitcoin não passa de uma piada. Qualquer tentativa se mostraria um fracasso monumental, como se fosse possível à polícia impedir que qualquer um carregasse sua privkey e então se conectasse à internet. O BTC é útil demais para que as pessoas se preocupem se o mesmo é legalizado ou não, do mesmo modo que é útil demais para que agentes governamentais envidem grandes esforços com o objetivo de barrá-lo.

Quer saber o que vai destruir o bitcoin? Nada, é isso aí. Talvez uma guerra nuclear ou um grande meteoro, mas não muita coisa além disso. O problema dos usuários do BTC é que eles creem que o bitcoin é frágil, quando na realidade ele é antifrágil. Não é mera coincidência que o BTC siga sobrevivendo a cada crise. Ele sobrevive porque é imortal.

Enquanto houver possibilidade de lucro na rede bitcoin, o BTC vai surrar seus adversários. Para cada força externa que ameaça o bitcoin há múltiplas forças internas construindo as ferramentas necessárias para neutralizá-la. Estas contramedidas podem não ter visibilidade contínua na mídia, mas são fruto do incentivo a todos os detentores de bitcoin para construí-las e, consequentemente, proteger seu investimento. A soma de todas essas inovações silenciosas faz com que o BTC se comporte como um mestre de aikidô, capaz de desviar e absorver as forças que se dirigem contra ele.

Tudo isto demanda um pouco de fé, pois é preciso acreditar em algo que nem sempre é visível, baseado na expectativa racional de sua existência. Nosso dia-a-dia é semelhante: sabemos que o noticiário nos dá uma visão de mundo enviesada, e que precisamos prestar atenção inclusive àquilo que não é dito. A única diferença do mundo do bitcoin é seu caráter extremo, com pânico em todos os cantos, tanto acidental quanto deliberado. Isto se explica diante da rapidez com que a economia do bitcoin muda em escopo e natureza, tornado difícil separar o que é real do que é apenas um boato.

Bitcoiners, tomem um ansiolítico. Diante de cada notícia, façam a seguinte pergunta para si próprios: “quão importante isto será daqui a um mês?” A resposta a essa pergunta quase sempre deve ser “nem um pouco.” Você está diante daquele que talvez seja o maior e mais maravilhoso segredo que poderíamos encontrar neste ambiente mundano, mas ainda assim não consegue se contentar por um único momento. Relaxe, desconecte-se, tome uma boa taça de vinho e tire um cochilo.

Texto originalmente publicado por Daniel Krawisz em 22/11/14 (http://nakamotoinstitute.org/mempool/dont-panic/).

AVISO: Este texto não constitui orientação de investimento e tem caráter puramente informativo. Antes de investir, consulte profissional capacitado e certificado para atender ao seu perfil.

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